O que você vai encontrar nesse texto:
- O que é a Lei de Jakob.
- O que são modelos mentais e como utilizá-los ao seu favor projetando soluções de design.
- Como conhecer seu usuário para projetar soluções que atendam melhor suas necessidades.
Você constantemente navega por diferentes sites e aplicativos ao longo do seu dia. Seja para pedir comida, comprar um novo produto ou então se atualizar nas redes sociais, muitas das vezes você nem se quer percebe o quão fácil é navegar por diferentes produtos, mesmo que sejam de empresas diferentes. Isso ocorre graças à Lei de Jakob, apresentada em 2000 por Jakob Nielsen.
O que é a Lei de Jakob?
De modo geral, os usuários passam maior parte do seu tempo em outros sites ou aplicativos, isso quer dizer que ao entrar no seu site ou usar seu produto, eles tem a expectativa de que ele vá se comportar semelhante a outros que ele acabou de acessar. Como designers, buscamos reduzir o atrito necessário para o usuário utilizar uma solução de design, assim seus esforços serão usados para realizar tarefas e não aprendendo novos padrões.
Vamos pensar que você está entrando em um e-commerce para procurar uma nova TV, por mais que você esteja entrando pela primeira vez no site em específico, você já tem uma ideia de como alguns elementos devem estar posicionados: filtros à esquerda da tela, barra de busca no cabeçalho ou acesso ao carrinho de compras à direita do cabeçalho. Agora imagine que você acaba de entrar em um site em que toda a estrutura da página é diferente e você não poderia utilizar em suas experiências anteriores de uso para se guiar, seria uma experiência bem estranha, não?!
Isso não significa que você não possa buscar novos padrões, como por exemplo o TikTok fez ao transformar a forma como as pessoas consomem conteúdo, fazendo com que outros produtos como Youtube e Instagram buscassem adotar os mesmos padrões, com funcionalidades como Shorts e Reels.
Aliás, o TikTok pode render um texto único sobre como o modelo rolagem de conteúdos rápidos dificulta a monetização da plataforma, uma vez que as pessoas simplesmente pulam os anúncios patrocinados, reduzindo a retenção do conteúdo.
O que são modelos mentais e como utilizá-los ao seu favor projetando soluções de design?
Modelos mentais, são a forma como nós achamos que algo deve se funcionar, boas experiências de uso devem alinhar o design do produto ou serviço com o modelo mental do usuário. Em produtos digitais, isso pode assimilar componentes do mundo real com o digital, por exemplo, checkboxes e switch buttons que se assemelham a botões de um painel de controle.
Pense nos semáforos: mesmo em diferentes países ou se diferentes tipos de semáforos, você sabe exatamente o que cada cor quer dizer seus respectivos comportamentos, isso garante que você não seja atropelado ou bata com outro veículo ao passar por um cruzamento.
Como conhecer seu usuário para projetar soluções que atendam melhor suas necessidades?
O primeiro passo é conhecer o público alvo que utiliza nossas soluções, para isso podemos usar diversos métodos: entrevistas com usuários, personas, pesquisas, mapas de jornada/empatia. Conhecendo melhor nosso usuário nós temos uma base para projetar soluções imaginando como eles vão se comportar durante o uso real do serviço ou produto. Isso ajuda a equipe de Design/Produto a afastar o pensamento de autorreferencial e se concentrar nas necessidades reais do usuário, lembre-se, você não é seu usuário.
Aqui vão alguns itens comuns que você vai encontrar em personas para ajudar a entender melhor seu usuário: Foto, nome, idade, ocupação, uma frase memorável; Detalhes para criar uma empatia com a persona: por exemplo uma biografia detalhando qualidades, comportamentos e dores, isso nos ajuda a entender melhor o contexto de cada usuário durante o uso da solução. E por fim alguns insights, uma seção valiosa sobre atitudes do usuário, essas informações podem vir de uma pesquisa ou entrevista.
Considerações finais
A Lei de Jakob diz que todos os sites e aplicativos vão cair em uma mesmice e se tornar exatamente iguais entre si? Não, algumas dessas mesmices se devem a fatores como: popularidade de modelos para acelerar o desenvolvimento, maturidade de plataformas digitais que já estudaram padrões e modelos que melhor contemplem as necessidades dos usuários, desejo de stakeholders de imitar a concorrência, fazendo com que os usuários possam criar uma conexão com seu produto e facilitar o engajamento.
A Lei de Jakob apenas orienta que designers levem em consideração convenções comuns criadas em torno de modelos mentais para projetar soluções onde o usuário possa ser produtivo imediatamente ao se conectar com o produto/serviço, sem precisarem aprender novos comportamentos, o que pode causar uma ansiedade e desconforto.
Ainda é válido destacar que se você tem um argumento ou dado sobre algo diferente ao convencional para melhorar a experiência de uso, você pode e deve explorar a proposta com seus usuários. Como foi o caso da barra de navegação em navegadores para celulares, anteriormente localizada no topo da tela, seguindo o padrão dos navegadores para computadores, a Apple foi pioneira ao testar a barra na parte inferior da tela. Inicialmente, isso causou alguma estranheza entre os usuários, porém facilitou o uso do navegador, uma vez que a barra estava posicionada na zona de maior conforto para o polegar, facilitando significativamente a navegação.
Texto produzido com base no livro: Leis da psicologia aplicadas a UX.
